quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O AMOR




Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:

Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança

domingo, 7 de agosto de 2011

PEDRO

Do Próximo
Certa vez, em Cafarnaum, meu Senhor e Mestre falou assim:
"Vosso próximo é vosso outro Eu morando atrás de uma parede.
Pela compreensão todas as paredes cairão.
" Quem sabe se vosso próximo não é vosso Eu melhor, usando um outro corpo?
Amai-o como amaríeis a vós mesmos.
" Ele também é uma manifestação do Altíssimo, que não conheceis.
"vosso próximo é um campo onde as primaveras de vossa esperança passeiam em  suas verdes vestimentas, e onde os invernos de vosso desejo sonham com picos nevados.
"Vosso próximo é um espelho no qual contemplais vosso semblante, embelezado por uma alegria que vós próprios nao conheceis, e por uma tristeza de que vos próprios não partilhais.
" Eu gostaria que amásseis vosso próximo como Eu vos amei."
Então, interroguei-O, dizendo: " Como poderei amar a um próximo que não me ama e que cobiça minha propriedade? Alguém que roubaria minhas posses?" 
E Ele respondeu: "Quando estás arando e vosso auxiliar vai lançando a semente à terra atrás de vós, por acaso parais e olhais para trás para por em fuga um pardal que se está alimentando com um pouco de vossas sementes? Se o fizésseis, não seríeis dignos das riquezas de vossas colheitas." 
Quando Jesus disse isso, senti-me envergonhado e fiquei silencioso, mas não estava com temor, porque Ele sorriu para mim.